A mother’s prayer

woman praying silhoutte

If I may, as a mother, have a wish granted by a beautiful creature – be it a glitter-winged fairy, a god I don’t believe in or an orixa I don’t know…
I wish that my kids will trust me.
Let my arms always be a safe haven.
Let them never, in a moment of grief, fear, regret, shame, avoid me out of dread of what I might do to them, to other people or what that might do to me.
May they never fear breaking me in half with their sorrow.
Oh, goddess, saints, elementals, spirits that may walk the Earth and all the angels that may hover above, hear my desperate and sincere plea and be moved by it: that never a child that I love may cry alone, hidden away from me.
I know that in order to actually live, we must risk getting hurt. I accept, I embrace, I resign myself to the fact that my children will hurt. I try.
But I beg you, I beseech you, with my infidel knees stuck firmly on the ground and my soul in my hands, that I may have the strength to watch their tears without trying to wipe them out, that I may have the courage to hear their wails without wanting to silence them, that I may have the serenity to empathize with them without taking over their affairs.
May they never feel like their angst is a burden or their troubles are an inconvenience to me.
May they always know that I would rather die a thousand times holding their hands than live forever without knowing that when the lights go out and nobody is watching, they silently cry themselves to sleep.
Amen.
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Uma prece.

woman praying silhoutte

Se eu posso, como mãe, desejar alguma coisa e alguma linda criatura me atender – seja fada que bate asas de purpurina, seja um deus em que não acredito ou um orixá que eu desconheço…

Eu desejo que mes filhes confiem em mim.

Que o meu colo seja sempre um porto seguro para eles.

Que no momento da dor, do medo, do erro, do arrependimento, da vergonha, eles jamais deixem de me procurar por receio do que eu vá fazer com eles, ou com outras pessoas, ou do que aquilo vá fazer comigo.

Que eles nunca tenham medo de me partir ao meio com sua tristeza.

Ó, deusa, santos, elementais, espíritos que talvez caminhem na Terra e todos os anjos que por aqui pairarem, ouçam o meu pedido desesperado e sincero e comovam-se com ele: que nunca uma das minhas crianças, seja qual for a sua idade, chore sozinha escondida de mim.

Eu sei que para viver de verdade a gente tem que se arriscar a sofrer; por isso, eu me resigno, eu me conformo, eu aceito que elas sofrerão. Eu tento.

Mas eu imploro, eu rogo, com meus infiéis joelhos fincados no chão e a minha alma nas minhas mãos, que eu tenha forças para ver suas lágrimas sem tentar enxugá-las, que eu tenha coragem de ouvir seus lamentos sem querer silenciá-los, que eu tenha serenidade para empatizar com elas sem roubar-lhes o protagonismo.

Que elas jamais sintam que, para mim, suas angústias são um fardo ou suas aflições são um incômodo.

Que elas sempre saibam que eu preferiria mil vezes morrer chorando e segurando a mão delas a seguir vivendo sem saber que, quando as luzes se apagam e ninguém está vendo, elas silenciosamente choram até dormir.

Amém.