Nota

Meu guest post no Eu Mamãe!

Falei sobre adultocentrismo e adultismo. Confira!
http://eumamae.com/2014/10/14/guest-post-adultocentrismo-por-leticia-penteado/#sthash.GYur7X0d.dpbs

Uma palhinha:

“Uma das faces mais feias do adultismo é o adultocentrismo. Considerar tudo o que acontece da nossa perspectiva, sem tentar entender o lado da criança. Sem fazer qualquer esforço para empatizar, como se o único ponto de vista válido fosse o da pessoa adulta. Como se só a pessoa adulta fosse pessoa.

Por exemplo, eu não gosto da expressão “terrible twos” (“os terríveis dois anos”). Não chego a chamar de “terrific twos” (“os maravilhosos dois anos”) – isso seria, no meu caso, uma falsidade – mas não gosto dessa coisa de classificar como terrível uma fase pela qual as crianças passam. Porque frisa o quanto isso é incômodo para MIM, pessoa adulta.

É como dizer “adolescente é uma merda”. Sabe? Não é adolescente que é uma merda, é a adolescência que é uma merda. Por mais incômoda que ela seja para os nossos umbigos adultos, ela com certeza o é ainda mais incômoda para quem é adolescente.

Similarmente, por mais terríveis que sejam os dois anos para os nossos umbigos adultos, com certeza eles são ainda mais terríveis para as crianças que estão passando por eles.. E olha que elas levam na esportiva na maior parte do tempo; enquanto nós já aprendemos a guardar rancores, elas normalmente explodem e perdoam e superam em minutos. Conviver com crianças é ter a oportunidade de observar de perto alguém que de fato vive no presente.

O que quer que as crianças façam, elas não estão fazendo PARA a gente, ou COM a gente. É parte de uma fase pela qual elas estão passando e não algo deliberado e pessoal CONTRA nós.

É muito comum, aliás, que num extremo de adultocentrismo, se transforme tudo o que a criança faz para se desenvolver – inclusive e especialmente em termos de autonomia – numa encheção de saco para os pais. E isso é um desaforo.  Tipo assim: que chato, né? Que desagradável e inconveniente as crianças agora inventarem de ter personalidade própria… que insulto para nós, pessoas adultas, termos que compor as nossas vontades com as delas.

Esse enfoque é de um desrespeito, de uma falta de consideração que me tiram do sério. Sem falar na generalização grosseira que costuma acompanhá-lo. Crianças não são todas iguais, não agem e reagem todas da mesma forma. Elas são pessoas, indivíduos, e isso deveria ser levado em consideração. Faça um texto generalizando pessoas adultas e choverão críticas nesse sentido; faça um texto generalizando crianças e choverão comentários “é a pura verdade, são todas assim”. E isso, claro, também é adultismo.”

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