Aproveitando o caso Bolsonaro para fazer um glossário

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*Os recentes (e não tão recentes) acontecimentos envolvendo o já infame Deputado Jair Bolsonaro e a Deputada Maria do Rosário são tão repletos de machismo que vi neles a oportunidade de, finalmente, atender aos pedidos de que eu fizesse um glossário. Não ficou completo, claro, faltou muita coisa, mas deu para cobrir uns termos bem comuns no feminismo, acho que pode ser útil. Enfim, segue abaixo, com todo o meu carinho, a limonada que eu fiz, com pedrinhas de gelo e muito açúcar. ❤

Obs.: Vou destacar os termos em si em vermelho, sublinhado, com um link em cada um para um texto com mais detalhes a respeito as definições básicas em azul. Observações que considero importantes serão destacadas em verde.


TW ou Trigger Warning (lê-se “tríguer wórnim”): é um aviso de que o que se segue contém alguma passagem que pode causar mal-estar e incômodo, a fim de que, ciente disso, a pessoa possa optar por não aprofundar o contato com aquele material, ou fazê-lo mais tarde, num lugar e momento em que se sinta mais à vontade para lidar com os sentimentos que o assunto pode trazer. Normalmente vem acompanhado de uma explicação sobre o que há ali que se acredita ser capaz de acionar gatilhos emocionais. Neste caso, por exemplo:


TW: Violência verbal e física praticada contra mulher com a conivência das pessoas presentes


As imagens (veja aqui) falam por si mesmas. Para qualquer pessoa com um pingo de noção, o que o vídeo mostra é um covarde usando seu tamanho, sua força física e masculinidade para tentar calar uma mulher que nada fazia além de debater com ele muito civilizadamente. Um homem desequilibrado, que responde às críticas feitas por uma mulher inventando ofensas que ela não proferiu nem deixou implícitas e usando isso como justificativa para as agressões praticadas por ele próprio.

Ele, no entanto, grita: “tá na fita, meu deus do céu! Tá na fita!”

Por quê? Porque seus olhinhos porcinos não veem naquelas cenas o que nós vemos. Porque ele, na cabeça dele, acha que tem o direito de agir daquela forma. Que tem o direito de destratar mulheres que não “sabem o seu lugar” (supostamente abaixo dele e bem caladas).

Cá no feminismo chamamos isso de entitlement (lê-se “entáitou-ment”), neste caso, masculino – a atitude presunçosa e prepotente de quem arvora para si o direito de oprimir outra pessoa, de quem defende seus privilégios (veja definição logo abaixo) como se estes lhe fossem de fato devidos e não algo que ele deveria tentar desconstruir. Essa postura abarca também coisas como essa história de friendzone (“frendzoun”) – um cara ficar ofendido quando uma mulher não quer fazer sexo com ele apesar de ele ser “tão legal” com ela  ou horrores como a chacina cometida por Elliot Rodgers este ano, um cara que saiu matando gente porque as mulheres tiveram “a ousadia” de não se interessar por ele e ele resolveu fazê-las pagar por isso.

Privilégio, nesse sentido, nós usamos para falar de um benefício de que alguém usufrui por participar de um segmento de pessoas que a sociedade privilegia em detrimento de outros. Esse é o segmento que é considerado “o normal”, “a regra”, pautando o ponto de vista a partir do qual as coisas são feitas e pensadas. Por exemplo, é um privilégio heterossexual poder demonstrar carinho em público sem ter medo de sofrer uma agressão, é privilégio das pessoas sem deficiência que os estabelecimentos todos sejam imediatamente acessíveis a elas, é privilégio branco estudar a cultura de seus ancestrais como se fosse a única que realmente vale a pena estudar, e por aí vai. Um privilégio muito comum é o de não representar. Porque uma mulher, uma pessoa negra, uma lésbica, uma pessoa trans, etc. sempre são considerades como se falassem e agissem por todas as mulheres, pessoas negras, lésbicas, trans, etc.

O privilégio de gênero, de que aqui falo especificamente, é o privilégio que os homens têm em nossa sociedade só por serem homens, como, por exemplo, poder ter uma vida sexual ativa e ser exaltado (e não execrado) por isso, ou não viver com medo de ser estuprado, ou ninguém esperar favores sexuais seus em troca de qualquer coisa que faça por você, ou as pessoas não esperarem doçura e obediência e deferência de você.

Vale a pena observar, ainda, que privilégio não é algo que se tem porque se quer, é algo que se tem porque “o mundo é assim” (e ainda não mudou). Não é uma questão de culpa – não temos culpa de ter privilégios; ninguém escolhe ser branco, ser hétero, ser homem. Mas é uma questão de responsabilidade. De entender que, se fazemos parte de um grupo que é considerado “o normal”, temos privilégios que muitas vezes sequer somos capazes de enxergar, de tão habituades que estamos a eles. E daí, a partir desse entendimento, fazer força para ver e desconstruir esses privilégios, ao invés de seguir usufruindo deles e reafirmando-os como se fossem direito nosso (entitlement).

Ou seja, a postura do deputado foi um verdadeiro show de entitlement, por não só praticar a violência, mas defender sua prática como direito seu.

Para justificar seus atos, ele brada aos quatro ventos que ela disse que ele era estuprador, coisa que ela não fez, como comprova o vídeo. Ela disse apenas que ele era responsável pela violência a que se referia em sua entrevista. E ela está certa em dizer isso, porque ele alimenta a cultura do estupro, a cultura que banaliza e estimula o estupro, que é justamente formada por palavras e posturas como as dele, que o legitimam, que dão a entender que não é nada demais, que é objeto de piada, que a culpa é da vítima ou que cabe à vítima evitá-lo, que a falta de consentimento é irrelevante ou que consentimento em si é um conceito “relativo”, etc.

Transformar o ponto de vista efetivamente arguido pela deputada em “você me chamou de estuprador” é o que a gente chama de falácia do espantalho: quando você distorce um argumento até ele ficar quase irreconhecível (faz um espantalho) e daí ataca essa distorção (bate no espantalho), mostrando-a absurda (claro que é absurda, é um espantalho) e dando com isso a impressão de que o argumento original é absurdo também. Ou, no caso, nem bate no espantalho, usa-o para justificar suas atitudes desequilibradas.

O que nos traz ao próximo item do glossário: gaslighting (“gaslaitim”). Eu falo muito disso aqui no blog. Gaslighting é quando alguém manipula a situação, tentando (ou conseguindo) nos fazer duvidar da nossa própria percepção. Por exemplo, quando a pessoa nos agride e faz parecer que a vítima é ela, ou que a culpa da agressão é nossa, ou que nós é que somos sensíveis demais, ou que não estamos sentindo de verdade o que estamos sentindo, etc. No caso que comentamos, isso fica claro porque, apesar de tudo o que ele fez, ele não se cansa de dizer que, na verdade, ela que é a agressora.

Se fosse o contrário, ela estaria sendo amplamente ridicularizada como uma “mulherzinha histérica incapaz de diálogo”. Isso porque, devido à nossa fama de sermos irracionais e exageradas, parece que nunca estamos legitimadas a reagir à violência que os homens, por sua vez, se sentem muito frequentemente legitimados a praticar conosco.

Amparado numa mentira, o homem vocifera com o dedo fálico em riste diante do rosto da mulher, brandindo-o como uma arma, uma ameaça. Dispara, sem piscar ou hesitar: “Eu não te estupro porque você não merece”. Assim, com naturalidade, como se para ele a violência sexual fosse algo tão corriqueiro quanto a lama em que ele chafurda todos os dias. Tal frase deixa claro não apenas que, na opinião dele, há mulheres que de fato merecem ser estupradas, mas que, se ele estivesse diante de uma mulher que ele julgasse merecer isso, ele estaria disposto a incumbir-se dessa “missão”.

Mais tarde ele “esclareceu” que disse que ela não merece ser estuprada porque é “feia demais”. Ou seja, a intenção dele ao dizer isso era de fato a ameaça do estupro corretivo: um crime que vitima especificamente mulheres lésbicas, assim “punidas” por não se fazerem sexualmente disponíveis aos homens, mas que vem sendo ampliado para ameaçar mulheres que incomodam o domínio masculino, a exemplo do ocorrido com Anita Sarkeesian e Alanah Pearce. O recado, aparentemente, era “olha, você passou dos limites, mulher, se você fosse mais atraente para mim eu te estupraria para te ensinar uma lição”.

Não é à toa que ele ouve no vácuo  acusações de ser estuprador. Talvez elas venham ressoando cacofonicamente de seu inconsciente. Freud ajudaria muito, se ainda fosse vivo e não tivesse ele próprio algumas inclinações um tanto preocupantes no sentido do machismo.

Fico me perguntando se esse homem teria usado essa mesma linha “argumentativa” se estivesse dialogando com um outro homem. Aliás, fica a dica desse bom teste para ver se as suas posturas ou palavras são machistas. Se, quando você se pergunta: “eu faria ou falaria isso se estivesse lidando com um homem?”, a resposta é não, vale a pena repensar. Pode ser que não seja nada, pode ser que seja tudo.

Mas ele foi além. Homem bem macho que é, habituado ao espalhafato preconceituoso pelo qual nunca sofre quaisquer consequências, agrediu fisicamente a mulher que o interpelava, ameaçando-a com “vou te dar outra”, enquanto empurrava o peito dela com a mão. Não fosse a intervenção de outros homens – que só apareceram depois do pedido de socorro dela, um deles aparentemente sorrindo, espero de coração que por constrangimento – sabe-se lá o que ele teria se sentido no direito (entitlement) de fazer com ela pelo simples fato de ela ter a “insolência” de expor a incoerência das ideias dele.

Assim que se viu amparado por um igual, no melhor estilo “me segura, me segura”, largou logo um “vagabunda” (palavreado cotidiano dele, certamente) para ela, que, consternada, apenas conseguia se fazer repetir “o que é isso?”

Isso, no caso, é o que nós chamamos de slut-shaming (slãt-cheimim), que é o ato de incutir nas mulheres a noção de que é vergonhoso para elas que exerçam sua sexualidade, seja reprovando qualquer demonstração disso (coisas como “ela não se dá o respeito” ou “ela é vulgar”), ou mesmo transformando isso em um xingamento (vagabunda, vadia, piranha, vaca, galinha, rodada, arrombada), ainda que ele venha a ser usado para agredir mulheres por motivos que nada têm a ver com sua vida sexual, porque, mesmo nesses casos, isso funciona como um lembrete a todas de que o valor de uma mulher perante a sociedade machista cai a cada vez que ela faz sexo. O que é impressionante é que, assim como a maioria das mulheres já sofreu alguma forma de slut-shaming em algum momento da vida, a maioria das mulheres também já praticou alguma forma de slut-shaming em algum momento da vida. Isso acontece não porque “as próprias mulheres são o problema”, ao contrário do que muitos machistas gostam de afirmar, mas porque essa é uma noção que se faz tão presente nas nossas vidas desde a nossa mais tenra infância, que se torna algo introjetado, cuja desconstrução dificilmente ocorre sem um esforço consciente nesse sentido.

Mais tarde no vídeo aparecem cenas em que essa mulher, num ato de sororidade, de reconhecimento das outras mulheres como suas irmãs na vivência do machismo que nos oprime a todas, invocando a união que devemos ter diante desse tipo de violência, diz com todas as letras a verdade que deveríamos ver escrita em letras garrafais em todos os muros de todas as casas de todas as ruas pelas quais passamos em nossas vidas enquanto somos assediadas por homens que se julgam no direito (entitlement) de nos apreciar como se fôssemos objetos para seu consumo: “Nenhuma mulher é vagabunda”.

Ela não se retraiu, ela não se encolheu, ela manteve a cabeça erguida, ainda que visivelmente chocada com a violência descarada que se desenrolava despudoradamente diante das câmeras e com a conivência e apatia des presentes, que precisaram ser chamados, convocados, para que enfim tomassem uma atitude.

Ao final, ele, o homem, o bully, gritou, em tom jocoso e vitorioso “Chora, agora! Chora!” enquanto ela, a mulher, a vítima, deixava o recinto visivelmente abalada.

E tem gente, para meu completo horror, que fala que não houve nada demais, porque ele “nem bateu nela de verdade”. Bom, primeiro que a ameaça de violência já é uma violência. Especialmente a ameaça de uma violência que ocorre durante uma discussão ou debate – um murro na mesa, um grito, uma aproximação súbita com postura ameaçadora – porque é algo que se faz para inibir a outra pessoa de dar continuidade ao seu lado da conversa por medo de sofrer uma agressão. É uma estratégia covarde de pessoas autoritárias, que gostam de encerrar a discussão no grito ou na porrada, mesmo quando estão erradas. Segundo que ele chegou a tocar nela. Pode não lhe ter causado nenhum ferimento, mas foi uma invasão brutal do espaço físico dela e a intenção de intimidá-la e agredi-la era muito clara. Torno a dizer que me parece que ela teve sorte de não estar a sós com ele naquele momento.

Depois disso, ela saiu de cena, e ele retomou a entrevista (a)normalmente, como se nada tivesse acontecido. Agredir mulheres verbal e fisicamente, aparentemente, não movem sequer um fio de cabelo em sua fronte. Nada demais, só mais um dia de trabalho.

Isso tudo aconteceu em 2003 e, como costuma ocorrer, nenhuma medida foi tomada contra ele.

Mas eis que, mais de dez anos depois, na última terça-feira, o próprio homem fez questão de requentar o assunto, com a boca cheia de um orgulho que eu simplesmente não consigo entender. O entitlement desse cara é de tirar a gente do sério.

A deputada a quem ele agredira havia acabado de fazer um discurso rechaçando a violência da ditadura e exaltando o trabalho da comissão da verdade. E esse homem, que um dia já usou uma farda, ofendeu-se até o tutano de seus ossinhos fascistas, e abriu sua fala, que se seguiu à dela, relembrando de forma completamente medonha o episódio: “Não saia, não, Maria do Rosário, fique aí. Fique aí, Maria do Rosário. Há poucos dias você me chamou de estuprador no Salão Verde e eu falei que eu não estuprava você porque você não merece. Fique aqui para ouvir!”

É marcante o tom de comando, de ordem. De quem está acostumado a ser obedecido, sob pena de detesto pensar em quê. A cereja no bolo é ver o que se passou, toda aquela agressão, inclusive física, dele, reduzida ao que parece ser um papinho acalorado. Mais gaslighting.

Entrevistado, ele explica que ele não é agressivo, que ele sim luta contra o estupro, que estuprador é psicopata (estuprador é monstro, coisa que ele não é, logo, não pode ser estuprador, claro), que dizer que não estupraria Maria do Rosário foi uma ironia… isso é o que a gente chama de mansplaining (méns-pleinim) ou homexplicanismo. Quando um homem vem cagar regras em cima de uma mulher, ou seja, explicar, em tom professoral e condescendente, coisas óbvias, ou que ela já sabe, ou falar de coisas de que ele sequer entende, porque parte do princípio de que, só por ser homem, ele naturalmente merece ser levado mais a sério e sabe mais do que qualquer mulher sobre o que quer que seja. Pode ou não ao mesmo tempo ser ou vir acompanhado de gaslighting (“Por que você está irritada? Estou só conversando com você, expondo meu ponto de vista”). Eu já vi homens homexplicando para mulheres que a dor da cólica menstrual nem era tão intensa assim. Pois é.

E podemos aproveitar o ensejo para explicar o conceito de falsa simetria. Falsa simetria é quando duas coisas parecem ser (ou são expostas como se fossem) iguais ou semelhantes, mas na verdade não são. Muitas vezes isso fica evidente quando analisamos o contexto em que elas ocorrem. Por exemplo, muitas pessoas diriam que “ah, mas tem um monte de mulheres que cagam regras”. Sim, mas a questão é que o homem, quando age dessa forma em relação a uma mulher, age com todo o amparo e peso de uma cultura machista, que consistentemente valoriza e privilegia a fala do homem em detrimento da fala da mulher. É por isso que vemos tantos homens fazerem isso e não serem rechaçados, enquanto suas interlocutoras, que foram criadas para suportar esse tipo de atitude, começam a duvidar de si mesmas mesmo quando sabem que sabem do que estão falando. Chega a dar tristeza de ver.

Mas, enfim, esse cidadão machista, não contente com a sujeira que já fizera há tanto tempo, veio novamente, em sua fixação anal de fazer federem todos os ambientes de que participa, demonstrar aos homúnculos seus aprendizes a velha arte de como desvalorizar a fala de uma mulher: ao invés de atacar o conteúdo, fale da pessoa dela, da aparência dela, da sexualidade e da vida sexual dela, des filhes dela, de companheire dela; ameace-a com violências que, por ser muito macho, poderia praticar com ela, por ela ser mulher.

E seus seguidores aprendem tão bem que na própria defesa do mestre pelas redes sociais saem fazendo exatamente isso com as mulheres que ousam questionar as falas estapafúrdias dele.

É isso que é o tal argumento ad hominem. Quando, ao invés de rebater o que uma pessoa disse, alguém ataca a própria pessoa, com a intenção de, por tabela, desqualificar o argumento ou mesmo tirar o foco dele. É interessante que muitos homens digam que as mulheres estão usando essa falácia quando elas apontam que eles estão homexplicando alguma coisa. É outra falsa simetria. Apontar homexplicanismo não é desvalorizar a opinião do cara porque ele é homem. É denunciar um comportamento nocivo e machista. O problema não é ele ser homem. O problema é ele usar sua posição de homem para fazer prevalecer sua cagação de regras.

Mas, enfim, voltando ao caso do deputado, a ideia por detrás das provocações feitas por ele mais uma vez é claramente a de intimidar, ridicularizar e silenciar a mulher. Transformar o gênero dela em uma fragilidade e usar isso para desvalorizar suas posições políticas, apoiado numa cultura que “naturaliza”, normatiza, o machismo a ponto de tornar piada a indignação diante dele. Usufruir do que a gente chama de privilégio de gênero.

Por fim, como podemos ver em inúmeras falas dele, o deputado em questão tokeniza o estupro e as vítimas de estupro constantemente. Tokenizar, ou fazer token é usar uma opressão, uma causa ou pessoas de um grupo que sofre uma opressão para “justificar, defender, explicar o seu ponto de vista” (vide texto do link). Por exemplo, quando uma pessoa branca diz algo racista, mas daí se defende dizendo que não é racista porque é parente de pessoas negras. E é isso que esse cara faz quando nutre avidamente a cultura que perpetua o estupro na nossa sociedade ao mesmo tempo em que usa esse crime como pilar de seu discurso vazio de “lei e ordem”, de redução da maioridade penal, etc. Repudia o estupro, mas fala como se houvesse mulheres que considera o merecerem. Repudia o estupro, mas o usa em insultos e piadas, como forma chocar e intimidar mulheres. Repudia o estupro mas dá a entender que estupraria.

Talvez esse homem não tenha consciência disso – é o caso de muites – mas o que diminui índices criminais não é a severidade da pena, mas a sua certeza. Não adianta prever pena de morte, tortura e mutilação se todo mundo sabe que pode fazer à vontade que não dá nada. Ele próprio deveria saber disso, já que conhece por dentro essa lógica: por que outro motivo continuaria a agir com sua truculência característica, senão porque se crê absolutamente inatingível nela? De tanto fazer e ficar por isso mesmo, ele já sedimentou que é seu direito agir dessa forma. Entitlement. De novo.


***Agradecimentos à Lígia Birindelli Amenda, por ter me lembrado de adicionar o slut-shaming ao glossário!

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