Sobre anarquismo

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A maior parte das pessoas que conheço que são anarquistas não se diria anarquista.

O termo “anarquismo”, assim como “feminismo” (que, a propósito, não é o contrário de machismo) carrega um estigma muito forte, muito negativo e muito equivocado. Muitas vezes no sentido contrário, aliás, daquilo que realmente representam. Chegam a ser usados como xingamentos e costumam ser evitados nas autodenominações por quem não tem muita intimidade com o que eles realmente significam.

Há muitos anarquismos, muitas vertentes dentro de cada vertente, porque, de novo, assim como o feminismo, não é um movimento dogmático, mas questionador em sua essência. Acredito que todo anarquista seja, antes de tudo, um estudioso do anarquismo, da sociedade e das pessoas que convivem nela.

A base do anarquismo, o que creio que todos ou quase todos os anarquistas têm em comum, é serem antiautoritários, quererem acabar com o Estado, os governos, as hierarquias impostas e as opressões, bem como com a propriedade privada dos meios de produção e com o capital em todas as suas formas.

O anarquismo, ao contrário do que se costuma pensar, não é, pelo menos para a esmagadora maioria dos anarquistas, a defesa da “supremacia do indivíduo” que muites, por ignorância ou má-fé, pregam que ele seja.

Pelo contrário, o anarquismo é a defesa do conceito do indivíduo como parte do todo e do todo como parte do indivíduo, e isso como sendo algo natural e necessário ao ser humano. É a defesa de que, em um ambiente favorável, a organização e a cooperação brotariam tão espontaneamente das pessoas que não seria necessário impô-las por meio de um governo, que as pessoas se autorregulariam e balizariam suas liberdades com as liberdades dos outros na própria convivência e pela necessidade dessa convivência.

Basicamente, ser anarquista é acreditar que o ser humano é naturalmente capaz de conviver pacificamente e formar uma sociedade funcional e harmônica sem que haja um governo que lhe imponha isso com ameaças de punições, ou que estimule isso com a promessa de recompensas. Ser anarquista é acreditar na possibilidade motivação intrínseca do indivíduo.

O anarquismo é socialismo libertário (opondo-se ao socialismo autoritário, que acredita que mudanças têm que ser impostas por um governo ou liderança) e libertarismo socialista (opondo-se ao libertarismo capitalista, ou liberalismo – corrente de que brotou o bizarro e oximórico anarcocapitalismo).

Não vejo como alguém pode ser anarquista sem ser apaixonadamente feminista. E confesso que acho difícil o ideal feminista se concretizar enquanto houver o governo imposto de uma pessoa por outra.

Mas, como eu sei que muitas feministas discordam de mim e, para meu choque e tristeza, muitos anarquistas também, sempre afirmo ser anarquista E feminista, para evitar mal-entendidos quanto às posições que defendo.

O meu entendimento do anarquismo pende para um pacifismo evolutivo que prega a informação, a comunicação e o exemplo como ferramentas revolucionárias. Neste blog, falarei de como isso informa a minha vida e a minha maternidade.

Os outros textos nesta seção:

– Sobre anarquismo e a confusão comum entre libertarismo e liberalismo

– Sobre a natureza humana e a nossa capacidade natural de cooperar: O ovo ou a galinha

– Sobre a discussão de sistemas econômicos do futuro: Sistema Econômico?

– Sobre o absurdo da diferenciação do trabalho: O serviço que vale mais e o serviço que vale menos

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3 comentários sobre “Sobre anarquismo

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