Sistema econômico?

bitcoins

Muitos autores anarquistas detalharam suas visões de como seria o sistema econômico pós-revolução. Dividem-se – individualistas, mutualistas, coletivistas, comunistas…

Se preciso dizer, pessoalmente prefiro o comunismo (em que cada um faz o que pode e recebe o que precisa, independentemente do quanto pôde dar. É a questão da dádiva vista no texto do “O ovo ou a Galinha?”).

Eu não me detenho muito nisso. Acho interessante, acho útil para mostrar como poderia funcionar, para mostrar protótipos, para apontar comunidades e cidades e empresas que funcionam de forma anárquica já hoje e como seria isso extrapolado para a sociedade toda, para quebrar o paradigma do ser humano como criatura essencialmente podre e egoísta, incapaz de qualquer gesto bom a que não seja forçado por lei… enfim, para tranquilizar as pessoas, que, muitas vezes, quando pensam num pós-revolução anarquista, vêem um cenário do Mad Max na cabeça.

mad max

Mas acho que não precisamos dessas respostas agora, não precisamos nos comprometer com uma visão do futuro. Não temos ainda condições de viver esse amanhã, nossa sociedade não está pronta, não quer abrir mão da segurança de ter um governo que se responsabilize por ela, não quer abrir mão da efêmera satisfação das pequenas vitórias nas mesquinhas competições diárias, ou mesmo está tão habituada a derrotas que sonha com o dia em que poderá ir à forra. E por isso hesita em abandonar a corrida.

E nesse meio tempo, vão acontecendo mudanças sociais e científicas e ambientais que podem ser impactantes a ponto de tornar obsoletas mesmo as mais genéricas e flexíveis formulações.

Eu prefiro confiar que, aos poucos, as coisas vão se ajeitando. Que vamos encontrar o caminho. E que o nosso trabalho é fomentar a vontade de encontrar esse caminho juntos.

Claro que podemos todos morrer antes de chegar lá – assim como uma criança pode sofrer um acidente e jamais se transformar no adulto que se tornaria. E é claro que ainda tem muito chão, muitos percalços e passos para o lado e para trás.

Mas vamos indo. E cada um que resolve fazer a sua parte para acelerar o passo, nem que seja em apenas em um microcagagésimo de milímetro por ano conta.

Podemos fazer muita coisa. Mas devemos começar em nós mesmos se pretendemos realmente mudar alguma coisa. Dar o exemplo. Abrir mão da competição, sempre que possível, repensar a forma como interagimos com os outros, lidar com as nossas neuroses, questionar nossas “necessidades”, não aceitar autoridades sem discuti-las, discutir seus propósitos, cobrar delas a atuação ética que devem ter. Refletir. Debater.

Informação. Não propaganda.
Conhecimento. Não preconceito.
Convencimento. Não manipulação.

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